
Entenda como é realizado o procedimento, quando ele é indicado e quais são as chances de gravidez após a transferência
O descongelamento de embriões é uma etapa importante nos tratamentos de fertilidade, oferecendo aos casais a oportunidade de engravidar com embriões que foram previamente congelados. Compreender como funciona o descongelamento e sua importância para o sucesso da gravidez é fundamental para qualquer pessoa que esteja se submetendo à fertilização in vitro (FIV).
Índice
- O que é o descongelamento de embriões e quando ele é realizado?
- Como os embriões são congelados antes do descongelamento?
- Como funciona o processo de descongelamento de embriões?
- O que acontece com o embrião após o descongelamento?
- Quanto tempo leva para descongelar um embrião?
- Quando é necessário o descongelamento de embriões para biópsia embrionária?
- O que influencia a sobrevivência e a qualidade dos embriões após o descongelamento?
- Quais são as chances de engravidar com embriões congelados?
O que é o descongelamento de embriões e quando ele é realizado?
O descongelamento de embriões é o processo de recuperação da temperatura fisiológica dos embriões e substituição das moléculas crioprotetoras (que possibilitaram a preservação a -196 ºC) por água intracelular. Isso reativa a atividade biológica do embrião.
Esse procedimento é realizado quando o casal ou a paciente decide utilizar os embriões que foram previamente congelados, podendo ocorrer em diferentes situações, como:
- Após um ciclo de FIV;
- Quando há embriões excedentes de boa qualidade;
- Após um tratamento oncológico;
- Quando a transferência embrionária foi adiada por razões clínicas.
O descongelamento também pode ser indicado quando se pretende realizar testes genéticos em embriões que tenham sido previamente congelados sem biópsia ou para uma nova tentativa de gravidez após uma gestação obtida com embriões congelados.
Como os embriões são congelados antes do descongelamento?
O congelamento de embriões, também conhecido como criopreservação, é uma técnica de reprodução assistida que consiste no armazenamento de embriões em estágio pré-implantacional, criados por meio de fertilização in vitro.
O processo de congelamento rápido, conhecido como vitrificação, é realizado a uma temperatura extremamente baixa (-196 °C) para interromper o desenvolvimento embrionário e preservar a vitalidade celular. Após a vitrificação, esses embriões podem ser criopreservados com segurança por longos períodos até serem descongelados para a transferência de volta ao útero.
Como funciona o processo de descongelamento de embriões?
O processo de descongelamento de embriões segue algumas etapas:
- Retirada do armazenamento: o embriologista retira o embrião do armazenamento em nitrogênio líquido, onde foi preservado a -196 °C para manter sua qualidade.
- Aquecimento controlado: o embrião é aquecido gradualmente por meio de um processo controlado para evitar mudanças bruscas de temperatura que possam causar danos.
- Reidratação dos embriões: como a vitrificação elimina a água para evitar a formação de cristais de gelo, esta etapa restaura o equilíbrio natural de fluidos do embrião.
- Verificação de qualidade: um embriologista examina o embrião ao microscópio para avaliar sua condição e garantir que ele tenha sobrevivido intacto ao processo de descongelamento.
A maioria dos embriões (mais de 95%) sobrevive ao descongelamento e permanece viável para a implantação.
O que acontece com o embrião após o descongelamento?
Após o processo de descongelamento dos embriões, os especialistas observam se as células permaneceram íntegras e se o embrião voltou a apresentar atividade metabólica e desenvolvimento normal. Se o embrião apresentar condições adequadas, ele poderá ser transferido dentro de algumas horas para o útero.
Quanto tempo leva para descongelar um embrião?
O processo de descongelamento de embriões é relativamente rápido. O descongelamento em si pode levar cerca de 15 minutos, mas, no total, o processo pode demorar cerca de duas horas. Além dos 15 minutos iniciais, é preciso considerar o tempo necessário para aquecimento, reidratação e avaliação.
Quando é necessário o descongelamento de embriões para biópsia embrionária?
Normalmente, os embriões frescos são submetidos a uma biópsia antes do congelamento, para permitir tempo suficiente para a realização dos testes genéticos e a obtenção dos resultados.
No entanto, há casos em que a paciente ou o casal decide realizar o teste genético em embriões previamente congelados sem biópsia. Nessas circunstâncias, os embriões congelados devem ser descongelados para a biópsia e, em seguida, congelados novamente até uma data futura em que possam ser utilizados. Isso significa que os embriões passarão por um ciclo adicional de congelamento e descongelamento em comparação com o protocolo típico.
Em casos selecionados, é possível realizar a biópsia e manter os embriões em cultivo até o dia seguinte, com o objetivo de aguardar o resultado da análise genética de urgência (“PGT-A de 24h”). Nessas situações, a paciente está com o útero preparado para receber o embrião e sabe que a ocorrência ou não do procedimento estará condicionada ao resultado da análise genética.
Essas estratégias são realizadas apenas quando há indicação médica e seguem protocolos que visam preservar ao máximo a viabilidade embrionária.
O que influencia a sobrevivência e a qualidade dos embriões após o descongelamento?
Nem todos os embriões sobrevivem ao processo de descongelamento. As taxas de sucesso podem variar de acordo com uma série de fatores. Entre os principais, estão:
- Qualidade do embrião no momento do congelamento;
- Estágio de desenvolvimento embrionário;
- Técnica de vitrificação utilizada;
- Experiência da equipe de embriologia;
- Qualidade dos meios de cultura laboratoriais;
- Idade materna no momento da obtenção dos óvulos;
- Condições genéticas do embrião.
Quais são as chances de engravidar com embriões congelados?
A probabilidade de obter uma gravidez com embriões congelados não depende tanto da técnica de criopreservação, mas sim da idade da mulher no momento da coleta dos óvulos, da qualidade embrionária, da presença ou não de alterações genéticas, do preparo adequado do endométrio e da experiência da equipe médica.
Em média, a taxa de gravidez com um embrião congelado varia entre 40% e 60%, podendo ultrapassar 65% em mulheres com menos de 35 anos quando são utilizados embriões de excelente qualidade.
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Fontes
Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
Sociedade Brasileira de Reprodução Humana
Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva
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