Mulher com a mão sobre o ventre em posição de desconforto ilustrando o endométrio atrófico.

O endométrio atrófico é um revestimento uterino muito fino, geralmente relacionado à baixa produção de estrogênio. Entenda quando esse diagnóstico pode interferir na fertilidade e quais tratamentos podem ser considerados.

O endométrio é o tecido que reveste o interior do útero e desempenha um papel essencial na reprodução. É nele que o embrião deve se implantar para que a gestação tenha início e possa evoluir. Por isso, alterações na espessura e nas características desse tecido podem despertar dúvidas entre mulheres que desejam engravidar.

Em alguns casos, a dificuldade em obter uma gestação de sucesso pode estar relacionada à atrofia endometrial, também chamada de endométrio atrófico. O texto a seguir traz informações sobre essa condição e como ela impacta a receptividade uterina.

O que significa ter um endométrio atrófico?

A atrofia endometrial ocorre quando o revestimento do útero se torna mais fino, por isso muitas vezes a condição é chamada também de endométrio fino. Isso acontece com mais frequência em mulheres após a menopausa, devido aos níveis mais baixos de estrogênio, o que pode ocasionar sangramentos recorrentes. Embora seja mais comum nessa fase da vida, diversas situações específicas podem levar a mulher a desenvolver um endométrio atrófico.

O endométrio atrófico pode dificultar a gravidez?

Pode. O revestimento normal do útero é espesso e está pronto para a gravidez. Já o endométrio atrófico é fino, apresentando baixos níveis de estrogênio. Isso pode afetar a fertilidade porque o endométrio é essencial na implantação do embrião e na manutenção da gestação.

Quando o endométrio é muito fino, a chance de o embrião se fixar adequadamente no útero diminui. Isso reduz as chances de uma concepção espontânea e diminui as taxas de sucesso em tratamentos de reprodução assistida.

No entanto, nem toda paciente que apresenta pouca espessura endometrial possui alterações de resposta hormonal ou do tecido. Além disso, fatores embrionários, uterinos, hormonais e relacionados à saúde geral também podem interferir na fertilidade.

Quais são as causas do endométrio atrófico em mulheres que desejam engravidar?

O endométrio atrófico é um achado normal em mulheres na peri e na pós-menopausa, mas a condição também pode ser observada em mulheres mais jovens em idade reprodutiva que ainda menstruam, mas apresentam alterações que reduzem a estimulação hormonal no endométrio.

Isso pode ocorrer devido a diversos fatores, como:

  • Uso de pílulas anticoncepcionais orais ou de dispositivo intrauterino (DIU);
  • Condições como falência ovariana prematura, síndrome de Turner ou distúrbios endócrinos;
  • Tratamento radioterápico na região da pelve;
  • Curetagens uterinas repetidas;
  • Remoção dos ovários;
  • Presença de aderências (cicatrizes uterinas);
  • Infecções como endometrite e doença inflamatória pélvica.

Existe tratamento para melhorar o endométrio?

O tratamento do endométrio atrófico envolve diversas estratégias e depende da causa da alteração endometrial. Para mulheres que desejam engravidar, o objetivo não é apenas aliviar sintomas, mas também proporcionar condições adequadas para que o embrião consiga se implantar no útero.

Quando existem alterações na cavidade uterina, o tratamento pode ser direcionado para a correção dessas condições. A presença de aderências, por exemplo, pode exigir uma abordagem específica para restabelecer uma anatomia uterina mais adequada.

Em algumas mulheres, o endométrio pode apresentar espessura inadequada durante o ciclo menstrual ou em tratamentos de reprodução assistida. Nesses casos, o médico pode avaliar o desenvolvimento endometrial ao longo do ciclo e ajustar a estratégia de tratamento de acordo com a resposta de cada paciente.

Em tratamentos de fertilização in vitro (FIV) e outras técnicas de reprodução assistida, o preparo do endométrio é acompanhado para definir o momento mais adequado para a transferência embrionária. Algumas estratégias podem ser utilizadas em situações específicas, mas nem todos os tratamentos propostos têm eficácia comprovada para aumentar as taxas de gravidez ou de nascimento. Por isso, a indicação deve ser individualizada.

Quando procurar um especialista em reprodução humana?

Mulheres que estão tentando engravidar, mas que apresentam dificuldade para obter uma gestação, um diagnóstico persistente de endométrio atrófico, falhas de implantação ou suspeita de alterações na cavidade uterina, podem se beneficiar de uma avaliação especializada.

O especialista em reprodução humana poderá investigar se a alteração endometrial está relacionada à dificuldade para engravidar e verificar a presença de outros fatores que possam estar interferindo na fertilidade.

Em determinados casos, a investigação pode incluir ultrassonografia, exames hormonais, avaliação da cavidade uterina e análise do histórico reprodutivo da paciente. Quando indicado, técnicas de reprodução humana, como a fertilização in vitro, podem fazer parte do planejamento terapêutico.

O objetivo da avaliação é compreender as condições do útero e favorecer uma adequada receptividade endometrial. Por isso, mulheres com alterações persistentes devem conversar com um especialista para entender as possibilidades de tratamento.

Para saber mais, agende uma consulta com nossos especialistas.

 

Fontes

Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva

Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas

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