
A síndrome de Wolf-Hirschhorn é uma condição genética rara que, na maioria dos casos, ocorre de forma espontânea. Entenda quando a investigação genética pode ser indicada antes da gravidez e quais estratégias podem fazer parte do planejamento reprodutivo.
A síndrome de Wolf-Hirschhorn é uma doença cromossômica extremamente rara causada pela ausência de um fragmento (deleção parcial ou monossomia) do braço curto do cromossomo 4 (4p16.3). Essa região contém múltiplos genes envolvidos no desenvolvimento embrionário inicial, na formação do cérebro e no desenvolvimento dos órgãos. Por isso, a síndrome pode causar atraso no desenvolvimento do paciente, deficiência intelectual, convulsões e malformações congênitas.
Cerca de 85% a 90% dos casos ocorrem de forma espontânea, sem histórico familiar, durante a formação das células reprodutivas ou nas primeiras etapas do desenvolvimento embrionário. Em uma parcela menor de pessoas, a alteração pode estar relacionada a um rearranjo cromossômico herdado de um dos pais, como uma translocação balanceada.
Por isso, a maioria dos casais sem histórico sugestivo da condição não precisa realizar uma investigação genética específica antes de engravidar. A avaliação pré-concepcional deve ser direcionada à história clínica e familiar de cada casal, evitando exames desnecessários.
Índice
Quando investigar antes de engravidar?
A investigação da síndrome de Wolf-Hirschhorn costuma ser indicada apenas quando existem fatores que aumentam o risco de recorrência da doença. São eles:
- Filho anterior com a síndrome;
- Translocação cromossômica conhecida em um dos parceiros;
- Abortos de repetição;
- Histórico familiar de rearranjos cromossômicos.
Nessas circunstâncias, o objetivo é verificar se existe uma alteração estrutural que possa ser transmitida aos filhos. Vale dizer que o risco de recorrência não é igual em todos os casos. Ele depende da causa da alteração cromossômica identificada em uma primeira gestação.
Quando a alteração surgiu espontaneamente, sem um rearranjo cromossômico nos pais, o risco de recorrência costuma ser baixo. Já quando um dos pais é portador de uma alteração cromossômica estrutural, o risco pode ser diferente e deve ser avaliado individualmente por um especialista em genética ou medicina reprodutiva.
Quais exames podem ser indicados?
A investigação da síndrome de Wolf-Hirschhorn varia conforme a história clínica e familiar do casal, e pode incluir os seguintes exames:
- Cariótipo: detecta deleções maiores, como translocações.
- Microarray cromossômico: identifica perdas e ganhos de segmentos de DNA em maior resolução.
- FISH (teste de hibridização fluorescente in situ): indicado em situações específicas para confirmar deleções suspeitas.
Cada exame possui indicações e objetivos diferentes. Casais que suspeitam ser portadores da síndrome devem recorrer ao aconselhamento genético reprodutivo, pois esse acompanhamento ajuda a interpretar os resultados e a definir quais exames podem realmente contribuir para o planejamento da gestação.
Quem faz fertilização in vitro pode precisar de PGT-SR?
O teste genético pré-implantacional para rearranjos cromossômicos estruturais (PGT-SR) pode ser considerado durante o tratamento de fertilização in vitro (FIV) quando o exame de cariótipo do casal identifica uma alteração estrutural em um dos parceiros, como uma translocação balanceada.
Embora o portador dessa condição geralmente não apresente manifestações relacionadas ao rearranjo, a alteração pode aumentar a possibilidade de formação de gametas e embriões com desequilíbrios cromossômicos. O PGT-SR pode ser utilizado para avaliar os embriões quanto a desequilíbrios relacionados ao rearranjo parental antes da transferência.
Essa investigação costuma ser realizada apenas em situações específicas, como filho anterior com síndrome de Wolf-Hirschhorn, abortos de repetição ou histórico familiar sugestivo.
Quem realmente se beneficia da investigação genética?
O objetivo da investigação genética não é rastrear todos os casais, mas identificar aqueles que apresentam uma história que justifique uma avaliação mais detalhada.
Ter um filho com síndrome de Wolf-Hirschhorn, uma alteração cromossômica conhecida em um dos parceiros, histórico de abortos de repetição ou histórico familiar de rearranjos cromossômicos são situações que podem motivar essa investigação.
Nos casos em que existe uma alteração estrutural parental, o risco reprodutivo depende do tipo de rearranjo, dos cromossomos envolvidos e dos pontos de quebra. O aconselhamento genético deve considerar as características específicas de cada alteração.
A avaliação também pode esclarecer se existe indicação para exames adicionais ou para estratégias de reprodução assistida. Quando há uma translocação balanceada, por exemplo, o especialista pode discutir as possibilidades de concepção espontânea, diagnóstico pré-natal ou FIV associada ao PGT-SR.
Contar com uma clínica de reprodução humana assistida pode auxiliar na investigação e no planejamento reprodutivo de casais que possuem histórico de síndrome de Wolf-Hirschhorn. A partir da avaliação individualizada, a equipe pode orientar a realização de exames como o cariótipo do casal e outras análises genéticas, além de oferecer aconselhamento genético reprodutivo para esclarecer os resultados e discutir as possibilidades para uma futura gestação.
Quando há indicação de técnicas de reprodução assistida, a Mater Prime também pode integrar a investigação genética ao tratamento de FIV, avaliando, em situações específicas, a possibilidade de utilização do PGT-SR.
Para saber mais, agende uma consulta com nossos especialistas.
Fontes
Manual MSD
PubMed
Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva
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