
Entenda o que é a TESE, quando ela é indicada, como é realizada e quais são os riscos e as chances de sucesso
A extração de espermatozoides testiculares (TESE) é um procedimento cirúrgico utilizado para obter espermatozoides dos testículos de homens com azoospermia, uma condição caracterizada pela ausência de espermatozoides no ejaculado. Este procedimento é geralmente realizado como parte do tratamento de fertilização in vitro (FIV) para casais com problemas de infertilidade masculina grave.
Saiba mais detalhes continuando a leitura deste texto.
Índice
- O que é a extração de espermatozoides testiculares (TESE)?
- Quando a TESE é indicada?
- Como é feita a cirurgia de TESE?
- A TESE dói? Como é a recuperação após o procedimento?
- Quais são os riscos e as possíveis complicações da TESE?
- O que acontece com os espermatozoides obtidos na TESE?
- Quais são as chances de sucesso da TESE?
- Quanto custa a TESE e quais fatores influenciam o valor?
O que é a extração de espermatozoides testiculares (TESE)?
A TESE é um procedimento realizado para coletar os espermatozoides diretamente dos testículos. Geralmente, é utilizada no tratamento da infertilidade em homens que não possuem espermatozoides no ejaculado.
Quando a TESE é indicada?
A recuperação de espermatozoides testiculares é recomendada para pacientes que apresentam poucos ou nenhum espermatozoide no sêmen. Isso pode acontecer devido a fatores como:
- Azoospermia obstrutiva: os testículos produzem espermatozoides normalmente, mas um bloqueio no trato reprodutivo impede a ejaculação. Isso pode ser causado por infecção, cirurgia prévia ou vasectomia.
- Azoospermia não obstrutiva: o trato reprodutivo e os testículos estão intactos, mas a produção de espermatozoides está reduzida ou ausente devido a problemas hormonais ou de desenvolvimento.
- Reversão de vasectomia malsucedida: se a reversão da vasectomia não restaurar com sucesso o fluxo de espermatozoides, os gametas masculinos podem ser recuperados por meio da TESE.
- Condições genéticas: certas anomalias genéticas podem levar à azoospermia ou ao desenvolvimento deficiente dos espermatozoides.
Como é feita a cirurgia de TESE?
A TESE é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo realizado em regime ambulatorial sob anestesia local e sedação. Uma pequena incisão é feita no escroto para acessar o testículo e remover um pequeno fragmento de tecido testicular. Esse tecido é examinado ao microscópio por um embriologista para verificar a presença de espermatozoides. Se forem encontrados espermatozoides viáveis, eles são extraídos do tecido para uso na fertilização in vitro. Por fim, a incisão é fechada com pontos.
Como a quantidade de espermatozoides coletados costuma ser muito baixa, é necessário combinar a FIV com a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), uma técnica na qual um único espermatozoide, de melhor qualidade, é injetado diretamente no óvulo, aumentando as chances de sucesso do tratamento.
A TESE dói? Como é a recuperação após o procedimento?
Por ser realizada com anestesia, a TESE não causa dor ou desconforto. Em relação à recuperação, após o procedimento é comum surgirem dor, pequenos hematomas, sensibilidade e inchaço no local, mas estes sintomas geralmente desaparecem em 7–14 dias.
Para uma recuperação adequada, é importante seguir as instruções de cuidados pós-operatórios, que incluem:
- Repouso relativo por 24 a 48 horas;
- Uso de roupas íntimas de sustentação;
- Aplicação de compressas frias nas primeiras horas;
- Uso de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios;
- Evitar exercícios físicos intensos e relações sexuais por uma a duas semanas, conforme orientação médica.
A maioria dos homens pode retomar as suas atividades normais dentro de alguns dias a uma semana após o procedimento.
Quais são os riscos e as possíveis complicações da TESE?
A TESE é geralmente um procedimento seguro, mas, como qualquer cirurgia, apresenta alguns riscos, incluindo:
- Infecção: existe um pequeno risco de infecção no local da incisão.
- Sangramento: sangramento excessivo é raro, mas pode ocorrer.
- Danos testiculares: em casos raros, podem ocorrer danos aos testículos. Cicatrização, inflamação e fibrose dos tecidos podem afetar a produção futura de espermatozoides ou os níveis de testosterona.
O que acontece com os espermatozoides obtidos na TESE?
Após a TESE, o tecido testicular coletado é encaminhado ao laboratório da clínica de reprodução humana, onde o embriologista procura e separa os espermatozoides encontrados na amostra. Quando apresentam condições adequadas, eles podem ser utilizados imediatamente em um ciclo de fertilização in vitro com ICSI.
Caso não sejam utilizados no mesmo momento, eles podem ser congelados para utilização em futuras tentativas de reprodução assistida. O congelamento evita, em muitos casos, a necessidade de uma nova cirurgia para obtenção de espermatozoides.
Se nenhum espermatozoide for encontrado na amostra coletada, o médico poderá discutir outras possibilidades de tratamento, considerando a causa da infertilidade e o perfil do casal.
Quais são as chances de sucesso da TESE?
As taxas de sucesso da TESE variam dependendo da causa da azoospermia. Em casos de azoospermia obstrutiva, cuja produção de espermatozoides é normal, mas há um bloqueio, as taxas de sucesso são geralmente maiores em comparação com a azoospermia não obstrutiva, chegando a até 90%.
Já na azoospermia não obstrutiva, as taxas de recuperação costumam variar entre 30% e 60%, dependendo do diagnóstico, da técnica utilizada, da experiência da equipe médica e das características individuais do paciente.
Quanto custa a TESE e quais fatores influenciam o valor?
O valor da TESE costuma variar entre R$ 4 mil e R$ 10 mil. Esse preço é determinado com base em diversos fatores, incluindo a técnica empregada, a experiência da equipe médica, a estrutura da clínica, o tipo de anestesia utilizado e a cidade onde o procedimento será realizado.
Também é importante verificar se o orçamento inclui os custos laboratoriais, a criopreservação dos espermatozoides, as consultas de acompanhamento e os medicamentos. Em muitos casos, esses itens são cobrados separadamente e podem impactar significativamente o valor final do tratamento.
Para saber mais, agende uma consulta com nossos especialistas.
Fontes
Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva
Sociedade Brasileira de Urologia
Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida
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