A triagem de espermatozoides pode detectar mutações prejudiciais antes da implantação do embrião, aumentando as chances de uma gravidez de sucesso
Os testes genéticos nos espermatozoides são realizados com o intuito de detectar sinais de anormalidades que afetam o cromossomo Y, exclusivo dos homens. O principal objetivo desses testes é identificar quaisquer alterações genéticas incomuns que podem afetar a fertilidade masculina.
O texto a seguir traz em detalhes informações sobre os principais testes genéticos nos espermatozoides e quando são indicados.
Alguns problemas masculinos só aparecem em exames mais específicos.
Índice
Principais testes genéticos e de integridade espermática
Além do espermograma tradicional, hoje existem exames mais sofisticados que avaliam a qualidade genética dos espermatozoides. Entre os principais, destacam-se:
Teste de fragmentação do DNA espermático
O teste de fragmentação do DNA espermático avalia quebras ou danos no material genético dentro dos espermatozoides. Mesmo espermatozoides que parecem completamente saudáveis ao microscópio podem conter DNA defeituoso, o que pode afetar a saúde do embrião e reduzir as chances de uma gravidez bem-sucedida. Níveis elevados de fragmentação do DNA espermático são associados a uma taxa de fertilização mais baixa, a um desenvolvimento embrionário deficiente, a abortos recorrentes e à infertilidade inexplicada.
Teste de aneuploidias espermáticas (SAT)
Esse teste genético no espermatozoide permite avaliar a porcentagem de espermatozoides com anormalidades cromossômicas em uma amostra de sêmen. A análise é realizada nos cromossomos mais frequentemente associados a abortos espontâneos e ao nascimento de crianças com anormalidades cromossômicas (cromossomos 13, 18, 21, X e Y).
Microdeleções do cromossomo Y
Este outro teste genético no espermatozoide investiga pequenas perdas de material genético no cromossomo Y, frequentemente associadas à infertilidade masculina severa. Essas microdeleções podem afetar diretamente a produção de gametas masculinos.
Quero investigar a fertilidade masculina!
Quando são indicados testes genéticos nos espermatozoides?
O teste genético no espermatozoide pode ser solicitado quando outras possíveis causas de infertilidade forem descartadas. Em geral, os testes genéticos nos espermatozoides são indicados nas seguintes situações:
Abortos de repetição
Quando houver múltiplos abortos espontâneos ou casos de perda gestacional recorrente, os fatores de fertilidade masculina devem ser investigados por meio de um exame genético no espermatozoide, pois danos no DNA espermático podem ser a causa dessas condições.
Falhas de implantação em ciclos de fertilização in vitro (FIV)
Quando embriões de boa qualidade não conseguem se implantar no útero durante a FIV, pode haver um fator masculino oculto, como fragmentação do DNA espermático ou aneuploidias.
Infertilidade inexplicada ou fator masculino severo (oligoastenoteratozoospermia)
Nos casos em que outros exames foram realizados — e não houve uma causa determinante para a infertilidade — ou quando o espermograma apresenta alterações importantes (baixa quantidade, motilidade e morfologia), os testes genéticos nos espermatozoides ajudam a aprofundar o diagnóstico.
Idade paterna avançada ou histórico de exposição a agentes tóxicos
Homens mais velhos (acima de 45 anos) ou expostos a poluentes, radiação, tabagismo ou substâncias químicas podem apresentar maior risco de danos genéticos nos espermatozoides.
Histórico de doenças genéticas ou alterações no cariótipo
Casos familiares de doenças genéticas ou alterações cromossômicas indicam a necessidade de investigação mais detalhada por meio de um teste genético no espermatozoide.
Diferença entre o espermograma comum e os testes genéticos
O espermograma é o exame de fertilidade mais comum para homens. Ele analisa diversos marcadores: contagem de espermatozoides (número de espermatozoides presentes), motilidade (capacidade de movimentação dos espermatozoides) e morfologia (formato e estrutura dos espermatozoides), além do volume e pH do sêmen. Também verifica a presença de leucócitos, que podem indicar uma infecção ou inflamação subjacente. No entanto, ele não analisa a qualidade do material genético.
Já os testes genéticos conseguem investigar o DNA e os cromossomos dos espermatozoides, o que permite identificar problemas que não podem ser detectados pelo espermograma, mas que podem impactar diretamente a fertilidade.
Como os resultados impactam o tratamento de fertilidade?
Os resultados dos testes genéticos nos espermatozoides têm papel fundamental na definição da melhor estratégia de tratamento em uma clínica de reprodução humana. Dependendo dos resultados, o médico especialista pode optar por técnicas mais avançadas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro com injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), que aumenta as chances de fertilização mesmo em casos mais complexos.
Além disso, métodos laboratoriais mais sofisticados podem ser utilizados para selecionar espermatozoides com menor dano genético, aumentando as chances de sucesso.
Por fim, em situações mais graves, como alterações genéticas significativas ou falhas repetidas de implantação, o especialista em reprodução humana pode recomendar a utilização de sêmen de doador como alternativa.
Os testes são sempre necessários?
Não, os testes genéticos no espermatozoide não são sempre necessários e, na maioria dos casos de investigação de infertilidade, não são o primeiro exame solicitado. Em muitas situações, especialmente em casais jovens com pouco tempo de tentativa e sem fatores de risco, o espermograma e a avaliação clínica são suficientes para o diagnóstico de infertilidade.
Solicitar testes genéticos sem indicação pode gerar custos desnecessários e até ansiedade, sem impacto real na condução do tratamento. Portanto, esses exames devem ser evitados nas seguintes situações:
- Ausência de histórico de infertilidade prolongada (mais de 12 meses de tentativas);
- Primeira investigação do casal;
- Espermograma dentro dos parâmetros normais;
- Idade jovem e sem fatores de risco associados.
A Mater Prime indica exames avançados apenas quando eles podem mudar a estratégia do tratamento.
Fontes
Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva





