A ICSI — Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides — é uma técnica de reprodução humana de alta complexidade voltada para os casos de infertilidade conjugal. Desenvolvido no início da década de 1990, o procedimento permitiu que muitos casais construíssem a família que tanto sonhavam.
Além de cônjuges, outras pessoas encontraram na ICSI a solução para a realização do sonho da maternidade. De acordo com a 11ª edição do SisEmbrio – Relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões produzido pela Anvisa – a demanda de pacientes em clínicas de reprodução humana ultrapassou a marca de 36 mil em 2017.
Descubra a seguir porque a ICSI está tão em alta e quais são as chances de sucesso do tratamento.
O que significa a sigla ICSI?
A sigla vem do inglês intracytoplasmic sperm injection, que em português significa injeção intracitoplasmática de espermatozoides. Nesse procedimento, um único espermatozoide é inserido no interior do óvulo, fazendo com que o gameta masculino não tenha o esforço de romper a zona pelúcida, membrana exterior do óvulo.
Apesar de ser um tratamento de Fertilização in Vitro, a ICSI possui uma característica muito distinta da FIV clássica. Ao invés de deixar os espermatozoides fecundarem o óvulo naturalmente na proveta de vidro, como acontece na FIV comum, a ICSI coloca o espermatozoide diretamente no óvulo, facilitando a fecundação.
Quando a ICSI é indicada?
Geralmente, a injeção intracitoplasmática de espermatozoides não é a primeira técnica indicada para lidar com as dificuldades na gestação. Isso porque existem outros tratamentos menos complexos que são tão eficazes quanto a ICSI, como é caso da inseminação intrauterina e do coito programado, por exemplo.
A indicação da ICSI dependerá do histórico clínico do casal e do resultado dos exames solicitados pelo especialista em reprodução humana. No entanto, é possível estabelecer as seguintes situações como passíveis de indicação desse método:
- Quando a fertilização é realizada com óvulos congelados, pois, a zona pelúcida pode endurecer com o tempo de armazenamento;
- Quando ocorre falha na fertilização por FIV clássica em ocasiões anteriores ou ela não oferece boas chances de sucesso;
- Quando ocorre abortamentos de repetição;
- Quando os espermatozoides do parceiro apresentam variações na quantidade, mobilidade e qualidade;
- Quando o parceiro possui fragmentação do DNA espermático aumentada;
- Quando a mulher possui problemas na zona pelúcida;
- Quando o homem passou por uma vasectomia irreversível;
- Quando o paciente realizou uma cirurgia de retirada de próstata;
- Quando o casal escolhe utilizar sêmen congelado;
- Quando a mulher é diagnosticada com endometriose ou possui problemas obstrutivos nas trompas.
Como funciona a injeção intracitoplasmática de espermatozoides?
O primeiro passo da ICSI é a obtenção dos melhores gametas masculinos e femininos. Para isso, são realizados procedimentos específicos em cada paciente.
No caso dos homens, o material pode ser obtido através da masturbação ou ser retirado dos testículos por meio de uma punção testicular. Já no caso das mulheres é realizada uma indução da ovulação por meio de medicamentos à base de hormônios logo no início da menstruação. O especialista acompanha o crescimento dos folículos, no local onde são gerados os óvulos, até aproximadamente o 11º dia do período menstrual. Quando eles atingem um tamanho adequado, o médico faz a coleta via ultrassom transvaginal.
O material coletado dos pacientes é levado ao laboratório onde são separados os de maior qualidade para fazer a ICSI. O óvulo escolhido passará por uma remoção das células que o circundam para evitar danos durante o procedimento. Em seguida, o espermatozoide escolhido é injetado no óvulo com o auxílio de uma agulha microscópica.
Na próxima etapa da ICSI o especialista observará a evolução do espermatozoide no óvulo até que o embrião alcance uma fase ideal para ser transferido para o útero da paciente. O tratamento pode levar aproximadamente 40 dias para ser concluído, considerando o início da estimulação dos óvulos até a confirmação ou não da gravidez.
Quanto custa a ICSI?
O preço da ICSI dependerá de muitos fatores, tais como os medicamentos utilizados para a estimulação ovariana e a estrutura do laboratório no qual os gametas do homem e da mulher serão escolhidos. Por isso, o valor da injeção intracitoplasmática de espermatozoides pode variar entre uma clínica e outra.
Uma matéria publicada pelo site Bebe.com.br, da Editora Abril, traz uma média de quanto custa a ICSI. Segundo a reportagem, o valor desse tipo de Fertilização in Vitro gira em torno de 5 mil a 20 mil reais.
Qual é a taxa de sucesso da ICSI?
As chances de engravidar com a ICSI estão atreladas a diversos fatores. Um dos que mais interfere nesse aspecto é a idade da mulher.
Sabe-se que tanto a fertilidade feminina quanto a masculina diminuem em qualidade com o tempo, entretanto, sendo a mulher quem gerará o embrião, este aspecto é ainda mais impactante.
Sendo assim, a injeção intracitoplasmática de espermatozoides realizada em uma mulher com 42 anos, por exemplo, tem 15% de chance de sucesso. Por outro lado, o mesmo procedimento feito em uma mulher com menos de 30 anos possui uma taxa de sucesso de 50%.
A ICSI é um método de fertilização que revolucionou a reprodução humana, sobretudo nos casos graves de infertilidade masculina. Contudo, para saber se esta é a técnica mais indicada, é fundamental procurar a assistência de uma clínica de reprodução humana.
Fontes:
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa);
Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRA);
Organização Mundial da Saúde (OMS);
Revista Saúde