Condição ocorre quando o tecido endometrial cresce na parede uterina, podendo comprometer a fertilidade da mulher e levar a quadros de dor
A adenomiose é uma doença ginecológica benigna que consiste na presença anormal de tecidos endometriais na musculatura do útero, chamada miométrio. O endométrio é o tecido que reveste a parede interna do útero, e se caracteriza por ter espessura que varia ao longo do ciclo menstrual, descamando quando não há gestação e gerando o sangramento da menstruação.
Quando a mulher apresenta adenomiose, os tecidos do endométrio que estão presentes em local inadequado se comportam da mesma maneira: crescendo e descamando ao longo do ciclo menstrual. Isso faz com que ocorra um espessamento dos tecidos presentes dentro da musculatura, bem como sangramento do local durante a menstruação e irritação de toda a estrutura.
Para quem está familiarizado com o conceito de endometriose, uma alteração em que os tecidos do endométrio se encontram fora da cavidade uterina e causam diversas alterações — tais como sangramento e inflamação —, podemos dizer que a adenomiose é muito semelhante. A principal diferença entre essas condições é que a adenomiose ocorre dentro do próprio útero, mas na camada intermediária (miométrio).
Tipos de adenomiose
Existem dois tipos de adenomiose: localizada ou difusa. O primeiro tipo também é chamado de adenomiose focal e diz respeito à presença de glândulas e tecido endometrial em uma determinada região do útero. O tipo difuso, por sua vez, se caracteriza pela existência de glândulas e tecido do endométrio por toda a extensão interna do útero.
Além disso, a doença pode ser classificada entre superficial, intermediária e profunda, dependendo da quantidade de camadas musculares que são afetadas pela adenomiose e do tamanho dos fragmentos.
Sintomas da adenomiose
Cerca de um terço dos casos são assintomáticos. Quando os sintomas aparecem, os principais são:
- Cólica menstrual intensa;
- Inchaço na barriga;
- Dor durante as relações sexuais;
- Aumento do fluxo e da duração da menstruação;
- Prisão de ventre e/ou dor ao evacuar;
- Dificuldade para engravidar.
Quais são as causas da adenomiose?
A Medicina ainda não conseguiu explicar totalmente as causas da adenomiose, mas há várias hipóteses para esta questão. A mais aceita atualmente diz que o tecido endometrial se infiltra na parede do útero, levando com ele células que acabam formando grupos de tecido endometrial e até nódulos (chamados adenomiomas). Também há indícios de que a alteração tenha relação com fatores genéticos.
Fatores de risco e prevenção
Em geral, a adenomiose é mais frequente em mulheres com mais de 35 anos de idade e que já engravidaram ou passaram por procedimentos com manipulação uterina. Isso não significa, entretanto, que pacientes mais jovens e sem filhos não possam sofrer com a doença. Uma vez que as causas desta alteração ainda não são completamente esclarecidas pela Medicina, não é possível apontar de maneira precisa os fatores de risco e a melhor forma de prevenir a condição.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da adenomiose é realizado com base na observação dos sintomas apresentados, caso houver, além de realização de exame físico e de imagem. Os principais exames solicitados são a ultrassonografia e a ressonância magnética. Uma vez que esta condição muitas vezes é assintomática, o diagnóstico normalmente é feito de maneira acidental — sendo que muitas mulheres sequer são diagnosticadas.
Tratamento da adenomiose
Os tratamentos para adenomiose podem variar de acordo com a gravidade dos sintomas e da saúde geral da paciente. As opções incluem tratamentos medicamentosos e cirúrgicos.
Tratamento medicamentoso
Os tratamentos para adenomiose realizados a partir de medicamentos buscam controlar os sintomas da doença e a sua evolução. Em sua maioria, esse controle é realizado com medicamentos hormonais à base de progesterona, como pílulas anticoncepcionais ou terapias injetáveis.
O Dispositivo Intrauterino (DIU) também pode ser uma forma de realizar a liberação de hormônios de forma contínua, ajudando a reduzir o fluxo menstrual e as dores.
Tratamento cirúrgico
Os tratamentos para adenomiose que envolvem intervenção cirúrgica podem ser considerados para casos mais graves ou quando os tratamentos medicamentosos não são eficazes. A adenomectomia é um procedimento que se baseia na remoção do tecido adenomatoso.
Qual a relação entre adenomiose e infertilidade?
Dependendo da extensão da adenomiose, a condição pode levar à infertilidade feminina. Isso acontece porque o organismo tende a considerar a alteração como uma agressão, iniciando um processo inflamatório e produção de hormônios que comprometem o processo de fertilização e implantação, aumentando também os riscos de abortamento espontâneo.
Caso uma mulher com essa condição esteja enfrentando dificuldades para engravidar, é recomendado que ela seja avaliada por um médico especializado em Reprodução Humana Assistida e inicie um tratamento individualizado.
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Diferença entre adenomiose e endometriose
Ambas as alterações dizem respeito à presença de tecido endometrial em local inadequado, mas a endometriose é uma inflamação crônica na qual estas células crescem em regiões e órgãos no exterior da cavidade uterina. Na adenomiose, o tecido endometrial está localizado no próprio útero, invadindo o miométrio que é a camada intermediária de revestimento uterino.
As duas condições estão relacionadas à infertilidade, podendo até mesmo coexistir.
A adenomiose tem cura?
A única cura eficaz para a adenomiose é a cirurgia para retirada do útero. Porém, este tipo de tratamento só é recomendado nos casos em que a condição não pode ser controlada a partir de outras metodologias e a mulher tem sua qualidade de vida seriamente comprometida pela doença. Em geral, a maioria dos casos pode ser controlada com uso de medicamentos anti-inflamatórios e bloqueios hormonais que podem ser realizado através de medicamentos via oral ou injeções.
Perguntas frequentes
A adenomiose ainda é uma doença pouco compreendida pelas mulheres, o que gera muitas dúvidas em relação a ela. A seguir, destacamos as mais comuns.
Adenomiose engorda ou incha a barriga?
Não engorda, mas pode causar inchaço no abdômen, pois a doença provoca aumento no tamanho do útero.
Adenomiose é câncer?
Não. Não causa câncer nem leva ao desenvolvimento da doença.
Quem tem adenomiose também tem endometriose?
Ambas as alterações dizem respeito à presença de tecido endometrial em local inadequado, mas quem tem adenomiose não necessariamente terá endometriose, ou vice-versa.
Adenomiose e miomas estão relacionados?
Adenomiose, endometriose e miomas uterinos são distúrbios do trato reprodutivo feminino que causam sintomas muito semelhantes, por isso é fácil confundi-los. No entanto, são condições diferentes, que não necessariamente estão relacionadas entre si e que requerem tratamentos diferentes.
Adenomiose tem origem genética?
Acredita-se que a adenomiose pode ter origem na formação do útero, quando o bebê está em desenvolvimento. Nesse caso, o tecido endometrial seria depositado no músculo uterino quando o útero está sendo formado durante a gestação.
Para saber mais a respeito da adenomiose e seus possíveis tratamentos, entre em contato e agende uma consulta com os especialistas da Mater Prime.
Fontes:
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo);