Em casos em que os óvulos congelados não serão mais utilizados, a doação surge como alternativa ética e regulamentada ao simples descarte do material armazenado
A preservação da fertilidade levanta questões que vão além do tratamento em si. Para muitas mulheres que congelaram óvulos, chega um momento em que o material armazenado não será mais utilizado, e a pergunta que se segue é inevitável: “O que fazer com ele?” Antes do descarte, existe uma alternativa que poucos conhecem com profundidade: a doação, regulamentada no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina, que permite que o material de uma paciente seja destinado a outra para ajudá-la a realizar o sonho da maternidade. Saiba mais a seguir.
Não sabe o que fazer com seus óvulos congelados? Entender todas as alternativas ajuda você a tomar uma decisão consciente.
Índice
O que acontece com os óvulos congelados quando a paciente não quer mais utilizá-los?
Quando a paciente decide não utilizar mais seus óvulos congelados, seja porque já concluiu o planejamento familiar ou por qualquer outro motivo pessoal, existem diferentes destinos possíveis para o material armazenado. As principais opções incluem a manutenção do armazenamento por tempo indeterminado, mediante pagamento contínuo; a doação para outra paciente ou para pesquisa científica; e o descarte definitivo.
A escolha entre essas alternativas depende da vontade da paciente, formalizada por escrito junto à clínica, já que o material genético armazenado é de sua titularidade. É justamente nesse momento de decisão que o tema “doação de óvulos (descarte)” costuma surgir, levantando dúvidas sobre qual caminho seguir quando os óvulos não serão mais utilizados no próprio tratamento.
A doação pode ser uma alternativa ao descarte de óvulos congelados?
Sim. A doação é uma alternativa legítima e regulamentada ao descarte de óvulos congelados, permitindo que o material genético ajude outra pessoa a engravidar, em vez de ser simplesmente eliminado. Para muitas pacientes, essa possibilidade traz um sentido adicional à decisão sobre o destino de seus óvulos armazenados.
Ao considerar a doação de óvulos (descarte) como as duas pontas de uma mesma decisão, é importante lembrar que a doação não é obrigatória nem automática: ela depende da vontade expressa da paciente e do cumprimento de critérios médicos e éticos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
Todos os óvulos congelados podem ser doados?
Não. Para que a doação seja uma alternativa viável ao descarte, os óvulos precisam atender a critérios estabelecidos pela Resolução n.º 2.320/2022 do CFM, que regulamenta a reprodução assistida no Brasil. Um dos critérios centrais é a idade da doadora no momento da coleta dos óvulos, que deve ser de até 37 anos, mesmo que, no momento da doação, a paciente já tenha completado mais idade.
Além do critério de idade, os óvulos precisam ter viabilidade após o descongelamento, e a doadora não pode apresentar condições de saúde, infecciosas ou genéticas, que representem risco à pessoa receptora ou a um eventual descendente. Quando esses critérios não são atendidos, a discussão sobre doação de óvulos (descarte) se resolve naturalmente a favor do descarte, já que esta passa a ser a única opção segura disponível.
Quais critérios são avaliados antes da doação de óvulos?
Antes de uma doação ser autorizada, a clínica responsável avalia uma série de critérios médicos e legais. Entre os principais, estão:
- Idade da doadora no momento da coleta dos óvulos, até 37 anos, segundo o CFM;
- Resultados de exames para doenças infecciosas, como HIV, hepatites e sífilis;
- Ausência de condições genéticas que possam ser transmitidas à criança gerada;
- Viabilidade dos óvulos após o processo de descongelamento;
- Consentimento expresso e por escrito da doadora.
Esses critérios existem para proteger tanto a paciente receptora quanto a futura criança, e fazem parte do que diferencia uma doação responsável de um simples descarte por falta de outras opções. A avaliação completa é o que permite à equipe médica decidir, com segurança, o caminho mais adequado diante da questão de descarte e doação de óvulos em cada caso individual.
A clínica pode doar óvulos sem autorização da paciente?
Não. A doação de óvulos depende, obrigatoriamente, do consentimento expresso e por escrito da paciente, sendo essa autonomia um princípio central das normas éticas do CFM sobre reprodução assistida. Antes mesmo do congelamento, a paciente formaliza junto à clínica qual destino deseja dar ao material genético em diferentes cenários futuros.
Sem essa autorização, a clínica não pode destinar os óvulos à doação, seja para outra paciente, seja para pesquisa científica, restando o armazenamento contínuo ou, eventualmente, o descarte conforme definido em contrato. A decisão sobre doação de óvulos (descarte) é, portanto, sempre da paciente, nunca da instituição.
Qual é a diferença entre doar óvulos para outra paciente e para pesquisa científica?
A doação para outra paciente, chamada de doação reprodutiva, tem como objetivo viabilizar uma gestação para quem não consegue produzir óvulos próprios viáveis. Esse tipo de doação segue as regras de anonimato entre doadora e receptora, com exceção de doações entre parentes de até quarto grau, e segue os mesmos critérios de idade e saúde previstos pela Resolução n.º 2.320/2022 do CFM.
Já a doação para pesquisa científica não tem como objetivo gerar uma gravidez, mas contribuir para o avanço de estudos sobre reprodução humana, técnicas de congelamento ou embriologia. Esse uso depende de aprovação de comitês de ética em pesquisa e exige consentimento específico da doadora, distinto do consentimento dado para a doação reprodutiva. Compreender essa diferença é parte importante de qualquer reflexão sobre doação de óvulos (descarte), já que cada tipo de doação segue um caminho ético e regulatório distinto.
O que fazer quando não é mais possível manter o pagamento do armazenamento?
Quando a paciente não consegue mais manter o pagamento das taxas de armazenamento, o ideal é comunicar a situação à clínica quanto antes, em vez de simplesmente deixar de pagar. A maioria dos serviços de reprodução assistida oferece um prazo para que a paciente defina o destino do material, evitando decisões impostas por falta de comunicação.
Nesse momento, vale lembrar que a conversa sobre doação de óvulos (descarte) não precisa terminar no descarte por inadimplência: doar o material para outra paciente ou para a ciência continua sendo uma opção disponível, desde que formalizada a tempo junto à clínica.
Como formalizar a decisão sobre óvulos congelados armazenados?
A formalização ocorre por meio de termos de consentimento assinados pela paciente junto à clínica de reprodução assistida, documentos que registram a vontade dela sobre o destino dos óvulos em diferentes cenários, incluindo desistência do tratamento, impossibilidade de pagamento ou mudança de planos futuros.
Esses termos podem ser atualizados sempre que a paciente mudar de decisão, e é recomendável revisá-los periodicamente, sobretudo quando o armazenamento já dura muitos anos. Manter essa documentação atualizada é o que garante clareza tanto para a paciente quanto para a clínica responsável pelo material armazenado.
Em quais situações o descarte de óvulos congelados pode acontecer?
O descarte pode ocorrer quando a paciente solicita formalmente essa opção, quando os óvulos perdem viabilidade após o descongelamento ou não atendem aos critérios necessários para doação, ou quando o armazenamento é interrompido sem que outra destinação tenha sido definida dentro do prazo estabelecido em contrato.
Em qualquer um desses cenários, o descarte segue o que foi previamente formalizado pela paciente, reforçando por que a discussão sobre doação de óvulos (descarte) deve acontecer o mais cedo possível, idealmente já no momento do congelamento, e não apenas quando a situação se torna urgente.
Entender as alternativas envolvidas na questão sobre doação de óvulos (descarte) ajuda a tomar uma decisão mais tranquila sobre o destino dos óvulos armazenados. Na Mater Prime, a equipe está disponível para esclarecer dúvidas sobre doação, armazenamento e descarte, sempre respeitando a autonomia e o tempo de cada paciente.
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Na Mater Prime, orientamos cada paciente sobre as possibilidades de armazenamento, doação ou descarte, sempre respeitando sua decisão e a legislação vigente.
Fontes
Conselho Federal de Medicina (CFM) — Resolução n.º 2.320/2022




