Estudos recentes ajudam a entender o que a ciência já sabe — e o que ainda não sabe — sobre esse tema tão delicado para famílias em tratamento
A relação entre fertilização e câncer infantil é, hoje, uma das dúvidas mais frequentes entre famílias que recorrem à reprodução assistida. Neste conteúdo, entenda mais sobre o que os especialistas têm a dizer sobre o tema.
A FIV aumenta o risco de câncer infantil? Entenda o que realmente mostram os estudos científicos mais recentes.
Índice
Crianças nascidas por FIV podem ter mais risco de câncer?
O maior estudo já realizado sobre o tema, conduzido por pesquisadores da Universidade de Minnesota e publicado no periódico JAMA Pediatrics, comparou mais de 275 mil crianças concebidas por FIV a mais de 2,2 milhões de crianças concebidas espontaneamente. A principal conclusão da pesquisa foi tranquilizadora: a maior parte dos cânceres infantis não apareceu com mais frequência entre as crianças concebidas por FIV.
Os pesquisadores identificaram uma possível diferença relacionada a tumores hepáticos, uma forma rara de câncer infantil, mas destacaram que o desenho do estudo não permitiu distinguir se essa diferença estava relacionada à FIV em si ou à infertilidade já existente nos pais antes do tratamento. Para o autor principal, Logan Spector, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Minnesota, os resultados gerais sobre fertilização e câncer infantil são tranquilizadores para as famílias que já têm filhos concebidos por essa via.
O estudo acompanhou registros de nascimento de mais de uma década, cruzados com registros de câncer de diversos estados americanos, justamente para reunir um número grande o suficiente de crianças e permitir conclusões mais robustas sobre temas raros, como o câncer na infância. Esse tipo de desenho amplo é o que confere mais confiabilidade às conclusões tranquilizadoras sobre fertilização e câncer infantil.
Quais fatores levam os pesquisadores a acreditar que esse aumento pode não estar relacionado diretamente à FIV?
Os estudos atuais sobre fertilização e câncer infantil não conseguem afirmar que o tratamento, isoladamente, seja a causa de um eventual aumento de risco. Quando algum aumento aparece em determinada pesquisa, os próprios autores costumam destacar que não é possível isolar exatamente o que estaria por trás dele, nem se haveria relação direta com a fertilização in vitro.
Isso acontece porque casais que recorrem a tratamentos de fertilidade costumam reunir outros fatores que também podem influenciar essa relação entre fertilização e câncer infantil, como:
- Infertilidade prévia dos pais;
- Alterações genéticas já existentes no casal;
- Idade materna mais avançada;
- Questões hormonais associadas à dificuldade de engravidar.
Atualmente, a ciência ainda não consegue separar por completo o que estaria relacionado ao tratamento em si do que já fazia parte da condição dos pais antes mesmo da FIV. Um estudo holandês publicado no periódico Human Reproduction, que acompanhou crianças concebidas por reprodução assistida por mais de duas décadas, reforça esse ponto: ao comparar essas crianças tanto com a população geral quanto com filhos concebidos espontaneamente por pais com subfertilidade, não foi encontrado aumento no risco de câncer.
Esse tipo de comparação ajuda a apontar que os fatores ligados à própria infertilidade, e não necessariamente ao procedimento, podem explicar parte das diferenças observadas em alguns estudos sobre fertilização e câncer infantil.
O que os pais podem levar desses estudos?
Até o momento, os estudos mais amplos sobre fertilização e câncer infantil mostram que a maioria das crianças nascidas por FIV não apresenta aumento no risco de câncer infantil. Mesmo nos trabalhos que encontraram diferenças em tipos raros e específicos de tumores, os próprios pesquisadores destacam que ainda não é possível afirmar que essas diferenças tenham sido causadas pela fertilização in vitro.
Por isso, a principal mensagem dos especialistas, hoje, é de cautela na interpretação dos dados, mas sem motivo para alarmismo. Milhões de crianças concebidas por reprodução assistida em todo o mundo crescem e se desenvolvem normalmente, e o acompanhamento pediátrico de rotina continua sendo a melhor forma de cuidar da saúde de qualquer criança, independentemente da forma como foi concebida. Compreender esse contexto ajuda os pais a interpretar com mais equilíbrio as informações sobre fertilização e câncer infantil que surgem periodicamente.
Na prática, isso significa que crianças concebidas por FIV não precisam de exames ou protocolos de rastreamento de câncer diferentes dos recomendados para qualquer outra criança, salvo quando há histórico familiar específico que justifique avaliação adicional. As consultas pediátricas regulares continuam sendo o principal instrumento de cuidado e prevenção, junto a um diálogo aberto com o pediatra sobre qualquer dúvida relacionada ao tema.
Entender o que a ciência já sabe sobre fertilização e câncer infantil ajuda a reduzir a ansiedade de quem está em tratamento ou já tem filhos concebidos por FIV. Na Mater Prime, a equipe está disponível para esclarecer dúvidas com base em evidências científicas atuais e oferecer o acompanhamento necessário em cada etapa da jornada de reprodução assistida.
Agende uma consulta e converse com nossos especialistas.
A Mater Prime acompanha as principais evidências científicas para orientar seus pacientes com informações confiáveis e atualizadas.
Fontes




