Entenda o que a ciência mostra sobre o uso de hormônios na FIV e os riscos reais de câncer associados ao tratamento de fertilidade
A relação entre FIV e câncer é uma das dúvidas mais comuns entre pacientes que iniciam o tratamento de fertilidade, já que a estimulação ovariana eleva temporariamente os níveis de estrogênio no organismo. Esse aumento hormonal, no entanto, é breve e controlado, durando em média dez dias por ciclo, período muito menor do que a exposição hormonal de uma vida reprodutiva espontânea. Saiba mais a seguir.
Os hormônios usados na FIV causam câncer? Conhecer as evidências ajuda a tomar decisões com mais confiança.
Índice
Hormônios usados na FIV podem causar câncer?
A ligação entre a FIV e câncer é uma questão frequentemente levantada por pacientes em tratamento de reprodução assistida, uma vez que a estimulação ovariana promove uma elevação temporária dos níveis de estrogênio. No entanto, essa elevação dos níveis hormonais é transitória e controlada, com duração média de dez dias por ciclo, sendo um intervalo bastante reduzido em comparação à exposição hormonal acumulada ao longo de uma vida reprodutiva natural.
Até o momento, os estudos mais robustos sobre FIV e câncer não encontraram comprovação científica de que os hormônios utilizados no tratamento, isoladamente, aumentem o risco oncológico geral. Segundo a Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), esse esclarecimento é importante para que as pacientes em tratamento se sintam mais seguras durante o processo.
O que os estudos mostram sobre fertilização in vitro e risco de câncer?
Pesquisas conduzidas em diferentes países buscam entender a relação entre FIV e câncer ao longo do tempo, acompanhando grandes grupos de mulheres que passaram por tratamentos de fertilidade. Um estudo do Reino Unido — realizado por especialistas da University College London (UCL) em parceria com os registros da Human Fertilisation and Embryology Authority (HFEA) —, que analisou registros de mais de 250 mil mulheres submetidas a tratamentos de reprodução assistida entre 1991 e 2010, não encontrou aumento geral no risco de câncer de mama, ovário ou útero.
Esse mesmo estudo identificou um leve aumento no risco de tumores ovarianos de baixo potencial de malignidade, mas associado principalmente a mulheres que já tinham outros fatores de risco prévios para esse tipo de câncer, e não ao tratamento isoladamente. Resultados como esse reforçam que a discussão sobre FIV e câncer precisa considerar o histórico de cada paciente, e não apenas o tratamento em si.
A estimulação ovariana aumenta o risco de câncer de mama?
Uma revisão sistemática publicada na revista científica Fertility and Sterility, que reuniu resultados de 20 estudos anteriores sobre o tema, concluiu que não há aumento de risco de câncer de mama associado ao uso de medicamentos de estimulação ovariana. A análise incluiu tanto o citrato de clomifeno quanto as gonadotrofinas injetáveis, substâncias mais utilizadas para estimular os ovários durante a FIV.
Esse resultado é considerado tranquilizador, já que o câncer de mama é um dos receios mais frequentes entre mulheres em tratamento de fertilidade. Ainda assim, especialistas recomendam que cada caso seja avaliado individualmente, sobretudo em mulheres com histórico familiar da doença ou mutações genéticas conhecidas.
Existe relação entre FIV e câncer de ovário?
A relação entre FIV e câncer de ovário, especificamente, já foi alvo de diferentes estudos com resultados nem sempre coincidentes. Uma revisão da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), de 2012, identificou aumento na incidência de câncer de ovário e de endométrio entre pacientes submetidas a tratamentos de fertilização in vitro, quando comparadas à população geral.
Já um estudo mais recente, apresentado pelo Netherlands Cancer Institute (NKI) em congresso anual da ESHRE, que acompanhou mais de dez mil mulheres holandesas por duas décadas, não encontrou esse aumento de risco. Para a SBRA, esse tipo de divergência reforça que fatores como infertilidade prévia, idade e histórico familiar têm peso importante na interpretação dos dados sobre FIV e câncer, e não apenas o tratamento isoladamente.
Mulheres com histórico de câncer podem fazer FIV?
Sim, na maioria dos casos, mas com avaliação médica individualizada. Mulheres que já tiveram câncer, especialmente os tipos sensíveis a hormônios, como certos cânceres de mama, podem realizar protocolos de estimulação ovariana adaptados, com uso de medicamentos que reduzem a exposição ao estrogênio durante o tratamento.
A decisão sobre realizar FIV após um diagnóstico de câncer depende do tipo de tumor, do tratamento oncológico já realizado e do tempo de remissão da doença, sendo fundamental o diálogo entre a equipe de reprodução assistida e a equipe de oncologia que acompanhou a paciente.
Quem tem câncer pode congelar óvulos antes do tratamento?
Sim. O congelamento de óvulos antes do início de tratamentos oncológicos, como quimioterapia e radioterapia, é uma das principais estratégias de preservação da fertilidade, já que esses tratamentos podem comprometer a reserva ovariana. Para entender melhor como funciona esse processo, a Mater Prime preparou um conteúdo completo sobre oncofertilidade.
Quero iniciar meu tratamento com segurança!
A infertilidade pode estar associada a um maior risco de alguns cânceres?
Sim. Estudos indicam que a infertilidade, isoladamente, já pode representar um fator de risco para alguns tipos de câncer, independentemente de a paciente realizar ou não tratamentos de fertilidade. A nuliparidade, ou seja, nunca ter engravidado, está associada a um maior risco de câncer de endométrio e de ovário, já que a gravidez exerce um efeito protetor contra esses tumores.
Condições que frequentemente causam infertilidade, como a síndrome dos ovários policísticos, também aumentam o risco de câncer de endométrio por conta da exposição prolongada ao estrogênio sem a oposição adequada da progesterona. Por isso, ao discutir FIV e câncer, é importante lembrar que parte do risco observado em alguns estudos pode estar relacionada à própria condição de infertilidade, e não ao tratamento realizado para superá-la.
Quando investigar sintomas durante ou após o tratamento de fertilidade?
Alguns sinais merecem avaliação médica durante ou após o tratamento de fertilidade, independentemente de sua relação com a FIV. Entre eles, destacam-se:
- Sangramento vaginal fora do padrão habitual, especialmente após a menopausa;
- Dor pélvica persistente, que não melhora com o tempo;
- Nódulos ou alterações perceptíveis nas mamas;
- Inchaço abdominal contínuo sem explicação aparente;
- Perda de peso não intencional.
Esses sintomas não significam, necessariamente, a presença de câncer, mas justificam a necessidade de uma investigação médica, sobretudo porque alguns deles também podem indicar outras condições ginecológicas comuns. O acompanhamento regular com a equipe médica responsável pelo tratamento é a melhor forma de identificar precocemente qualquer alteração relevante.
Como a avaliação médica ajuda a tornar a FIV mais segura?
A avaliação médica prévia ao início da FIV permite identificar fatores de risco individuais, histórico familiar de câncer e condições preexistentes que possam influenciar o protocolo de estimulação mais adequado para cada paciente. Exames de imagem, dosagens hormonais e revisão do histórico de saúde da mulher fazem parte dessa etapa.
Esse cuidado individualizado é o que permite tornar a discussão sobre FIV e câncer mais clara para cada paciente, já que o protocolo de estimulação pode ser ajustado conforme as características específicas de cada caso, equilibrando a eficácia do tratamento e a segurança no longo prazo.
Conhecer o que a ciência já sabe sobre FIV e câncer ajuda a reduzir a ansiedade de quem está iniciando ou já está em tratamento de fertilidade. Na Mater Prime, cada protocolo é definido após uma avaliação individualizada, considerando o histórico de saúde completo da paciente.
Agende uma consulta e converse com nossos especialistas.
Na Mater Prime, cada tratamento é planejado com base na ciência e nas características individuais de cada paciente.
Fontes
Associação Brasileira de Reprodução Assistida
Revista Fertility and Sterility
University College London (UCL)
Human Fertilisation and Embryology Authority (HFEA)
Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE)




