Trata-se de uma das ferramentas mais seguras da medicina reprodutiva atual, mas, como todo procedimento médico, pode envolver efeitos colaterais e riscos
A preservação da fertilidade por meio do congelamento de óvulos cresceu de forma expressiva no Brasil e no mundo ao longo da última década. Mulheres que desejam postergar a maternidade por razões pessoais, profissionais ou médicas encontram nessa tecnologia uma possibilidade concreta de manter a qualidade dos seus óvulos ao longo do tempo.
Com esse crescimento, também aumentaram as perguntas: “O congelamento de óvulos é seguro?”, “Quais são os riscos do congelamento de óvulos?”, “O que acontece com o organismo durante o processo?” Este conteúdo responde a essas perguntas com base nas evidências disponíveis e na experiência da clínica de reprodução Humana Mater Prime.
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Índice
Congelamento de óvulos é seguro?
Sim. O congelamento de óvulos é seguro e, nos últimos anos, tornou-se um procedimento comum nas clínicas de reprodução assistida do mundo inteiro. A técnica de vitrificação, que substituiu o congelamento lento a partir dos anos 2000, elevou substancialmente as taxas de sobrevivência dos óvulos após o descongelamento e reduziu danos estruturais às células. A vitrificação é atualmente o método de referência para a preservação de óvulos, com taxas de sobrevivência superiores a 80% em centros experientes.
A segurança do procedimento depende de três pilares: protocolos bem-estabelecidos, laboratório com estrutura adequada e equipe especializada. Quando esses elementos estão presentes, os riscos do congelamento de óvulos são baixos e manejáveis, e a grande maioria das mulheres passa pelo processo sem complicações relevantes.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns do congelamento de óvulos?
A etapa mais exigente do processo é a estimulação ovariana, fase em que a paciente recebe injeções hormonais por aproximadamente 10 a 14 dias para estimular o desenvolvimento de múltiplos folículos. Durante esse período, alguns efeitos colaterais são comuns e esperados, como:
- Inchaço e sensação de peso no abdômen;
- Sensibilidade e aumento do volume dos ovários;
- Variações de humor relacionadas à flutuação hormonal;
- Cansaço, cefaleia leve e náuseas em algumas pacientes;
- Desconforto pélvico, que aumenta à medida que os folículos crescem.
Esses efeitos são transitórios e se resolvem alguns dias após o término da estimulação e a coleta dos óvulos. Reconhecê-los como parte esperada do processo ajuda a paciente a atravessá-lo com mais tranquilidade.
O que a estimulação ovariana pode causar?
A estimulação hormonal provoca o crescimento simultâneo de vários folículos ovarianos, o que não ocorre em um ciclo menstrual natural. Esse processo altera temporariamente o equilíbrio hormonal da mulher e pode gerar os efeitos colaterais descritos acima. Em casos menos frequentes, a resposta ovariana é excessiva e pode evoluir para a síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO), abordada adiante.
A estimulação é monitorada por ultrassonografia transvaginal, o que permite ajustar as doses dos medicamentos conforme a resposta individual de cada paciente. Esse acompanhamento é uma das medidas mais eficazes para manter os riscos do congelamento de óvulos dentro de parâmetros controlados.
A coleta de óvulos envolve riscos?
A punção folicular, etapa em que os óvulos são coletados por aspiração guiada por ultrassom, é um procedimento de baixo risco quando realizado em ambiente adequado e por uma equipe experiente. As complicações possíveis (sangramento, infecção e lesão de estruturas adjacentes) são raras e tendem a ser manejadas sem sequelas quando identificadas precocemente.
O procedimento é feito sob sedação, o que elimina a dor durante a punção. Após a coleta, desconforto pélvico leve e sangramento vaginal discreto são normais nas primeiras 24 a 48 horas.
Síndrome da hiperestimulação ovariana: quando pode acontecer?
A síndrome da hiperestimulação ovariana (SHO) é a complicação mais relevante associada à estimulação hormonal. Ela ocorre quando os ovários respondem de forma exagerada aos medicamentos, aumentando de volume e acumulando líquido na cavidade abdominal. Na forma leve, é mais frequente e se resolve espontaneamente em poucos dias. As formas moderada e grave são menos comuns: a SHO grave afeta menos de 2% das pacientes estimuladas.
Mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP), reserva ovariana elevada ou histórico de SHO em ciclos anteriores têm maior predisposição. A identificação desse perfil na avaliação pré-tratamento permite que a equipe adote protocolos de estimulação mais suaves, reduzindo o risco de forma significativa. Sinais de alerta incluem dor abdominal intensa, distensão progressiva, dificuldade para respirar e redução do volume urinário, todos indicativos de necessidade de avaliação médica imediata.
Congelamento de óvulos causa câncer?
Essa é uma das perguntas mais frequentes entre as mulheres que consideram o congelamento de óvulos. A resposta, com base nas evidências científicas disponíveis, é não. Estudos de acompanhamento de longo prazo não encontraram associação entre o uso de medicamentos para estimulação ovariana e o aumento do risco de câncer de ovário, mama ou endométrio. Os hormônios utilizados atuam por um período muito curto e não modificam o DNA celular.
Mulheres com predisposição genética a cânceres hormônio-dependentes devem discutir o assunto com seu médico antes de iniciar o tratamento. Essa conversa faz parte da avaliação individualizada que precede qualquer protocolo de preservação de fertilidade.
Congelar óvulos acelera a menopausa?
Não. O congelamento de óvulos não interfere na reserva ovariana de forma permanente. Durante a estimulação, os folículos que crescem são aqueles que, no ciclo natural daquele mês, entrariam em atresia, ou seja, seriam perdidos de qualquer forma. O processo apenas resgata esses óvulos antes que eles se percam. A reserva folicular total do ovário não é reduzida pela estimulação, e a chegada da menopausa segue o curso biológico de cada mulher, independentemente de ter realizado ou não o procedimento.
O congelamento de óvulos pode afetar a fertilidade futura?
Os dados disponíveis indicam que o congelamento de óvulos é seguro do ponto de vista da fertilidade futura. Mulheres que passaram pelo procedimento e tentaram engravidar espontaneamente em seguida não apresentaram taxas de gravidez espontânea inferiores às de mulheres que nunca realizaram o processo. A estimulação e a punção folicular não comprometem a capacidade de ovulação nos ciclos seguintes.
Vale lembrar que a fertilidade futura depende, sobretudo, da idade da mulher no momento em que ela decide engravidar, já que a qualidade dos óvulos diminui naturalmente com o tempo. Esse é exatamente o motivo pelo qual o congelamento de óvulos em idade mais jovem produz resultados mais favoráveis.
Quero preservar minha fertilidade!
Como a idade influencia os riscos do congelamento de óvulos?
A idade é o fator que mais impacta os resultados do congelamento de óvulos. Mulheres com menos de 35 anos tendem a produzir mais óvulos por ciclo de estimulação e com melhor qualidade cromossômica, o que aumenta as chances de obtenção da gravidez no futuro quando os óvulos foram congelados. À medida que a mulher envelhece, a reserva ovariana diminui e a proporção de óvulos com alterações genéticas cresce, o que pode comprometer as taxas de fecundação e de desenvolvimento embrionário dos óvulos armazenados nesta idade.
Sob o aspecto dos riscos do congelamento de óvulos, a idade não aumenta substancialmente as complicações do procedimento em si. O que muda com a idade é principalmente a eficácia do tratamento, e não a segurança da estimulação ou da punção. Por isso, a decisão de congelar óvulos deve considerar tanto os objetivos reprodutivos quanto a janela de tempo em que os resultados tendem a ser mais favoráveis.
Por que a avaliação médica é importante para reduzir riscos?
A avaliação médica prévia é a principal ferramenta para personalizar o protocolo de estimulação e antecipar fatores de risco. Ela inclui dosagem do hormônio antimülleriano (AMH), contagem de folículos antrais por ultrassonografia, histórico clínico completo e análise de eventuais condições que possam influenciar a resposta à estimulação. Com essas informações, a equipe define a dose inicial dos medicamentos, o ritmo de ajuste ao longo do ciclo e os critérios para o desencadeamento da ovulação.
Uma paciente bem-avaliada chega ao procedimento com um protocolo desenhado para a sua resposta esperada, o que reduz tanto o risco de SHO quanto o de resposta insuficiente. Na Mater Prime, essa avaliação é conduzida com atenção às particularidades de cada paciente, com espaço para dúvidas e orientações claras sobre cada etapa do processo. O congelamento de óvulos é seguro quando o cuidado começa antes mesmo da primeira injeção.
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Na Mater Prime, a indicação da biópsia embrionária é feita de forma individualizada, sempre com aconselhamento genético e tecnologias avançadas para os casos em que ela pode trazer benefícios reais.
Fontes
Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida




